Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Manifestação contra o museu da "tolerância"


Centenas de manifestantes palestinianos de Jerusalém participaram no passado dia 6 numa marcha de protesto junto à porta de Jaffa contra o projecto de construção de um "museu da tolerância" a ser edificado num cemitério muçulmano histórico onde estão sepultados, entre outros, os companheiros do profeta Maomé.
Quatro anos de luta por parte dos palestinianos tinham levado em 2006 ao embargo da obra, que acaba de ser autorizada, em 31 de Outubro, pelo tribunal supremo israelita.
O Centro Simon Wiesenthal está na origem do projecto, aprovado pelo governo israelita. Antes do embargo, vários esqueletos deste cemitério muçulmano já tinham começado a ser exhumados sem qualquer autorização, o que vai agora continuar a ser feito.
Este é mais um exemplo da "tolerância" de Israel que, ao longo dos anos, já transformou vários lugares históricos islâmicos de Jerusalém em lixeiras, parques de estacionamento e outras construções, numa tentativa de judaização de Jerusalém e de negação da sua herança cultural muçulmana.

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Sábado, Setembro 06, 2008

Dividir para reinar


O ministro da Defesa de Israel, Ehud BaraK, aprovou hoje a entrega de mil espingardas Kalashnikov aos serviços de segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Uma fonte da segurança israelita afirmou que o objectivo é reforçar o governo da ANP, uma vez que a cooperação entre o exército de seu país na Cisjordânia e os serviços palestinianos melhorou nos últimos meses.

Ontem, um dirigente do movimento islâmico Hamas sofreu um atentado, atribuído posteriormente pela organização à ANP.

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Quarta-feira, Agosto 06, 2008

Ruanda acusa França de ter tido papel activo no genocídio de 1994


A Nova Ordem Mundial através dos seus códigos viciados, decide quais os crimes dos bons e dos maus. A regra muda conforme se trata de amigos ou de inimigos.
Os sérvios são os maus da fita, mas a invasão do Iraque, veio libertar o povo daquele país.
A União Soviética invadiu o Afeganistão, as forças ocidentais estão lá para repor a democracia.
Os palestinos são terroristas os israelitas limitam-se a defender-se.
Agora perante mais esta suspeita como irá reagir a Irmandade? Nem vale a pena perguntar, são danos colaterais ou outra coisa do género. Porque o TPI só serve para julgar aqueles que ousaram dizer não aos novos Senhores do Templo.

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Quinta-feira, Maio 08, 2008

Israel celebra 60 anos


Segundo o calendário hebraico, Israel celebra o 60º aniversário da sua fundação. Os líderes mundiais juntam-se ao evento com uma conferência internacional em Jerusalém no dia 14-16 de Maio, a data real da sua fundação. Assistirão ao evento George Bush, Mikhail Gorbachev, o antigo secretário de estado Henry Kissinger e mais doze chefes de estado, muitos jornais e televisões e homens de negócios.
Desfiles militares e navais e lançamento massivo de pára-quedistas ilustram mais uma vez o carácter pacifista do regime que governa Israel. Servirão certamente para publicitar as mais recentes propostas do regime imperialista americano, para a época primavera verão da guerra.

Apesar da grandiosidade das celebrações, elas não conseguem disfarçar o sentimento profundo de preocupação e desilusão que existe em Israel. Muitos israelitas opuseram-se a celebrações grandiosas e extravagantes. Uma petição online pedia que a despesa com as celebrações fosse reduzida, recolheu mais de 90 000 assinaturas. No entanto o governo anunciou o gasto de 35 milhões de dólares nas celebrações, muito distante dos 70 milhões gastos no durante as celebrações do 50º aniversário.
Estes gastos astronómicos contrastam com a miséria dos campos palestinos e dos campos de refugiados no Líbano, na Síria e na Jordânia.
Para os 4 milhões e quinhentos mil refugiados o data celebrada é sinónimo de catástrofe (Naqba) ou seja da sua expulsão forçada, da expropriação das suas terras e casas a partida para o exílio e para a pobreza.

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Sexta-feira, Abril 25, 2008

Exército israelita dispersa manifestação contra colónia ilegal na Cisjordânia


O Exército israelita dispersou nesta quinta-feira manifestantes palestinos e israelitas que ocupavam o colonato ilegal de Yad Yair, próximo de Ramallah, na Cisjordânia, para protestar contra sua conservação.
"O colonato ilegal simboliza a colaboração entre o Exército e os colonos. Se nós conseguimos o controle do local sem problemas, o Exército também pode conseguir", declarou um manifestante pacifista israelita.
Cinquenta activistas apoiados por pacifistas internacionais tomaram o controle do colonato, que estava vazio, durante várias horas e substituíram a bandeira israelita pela palestina.
O Exército israelita fez vários tiros para o alto para dispersar a manifestação, enquanto os colonos voltavam ao assentamento.
Três manifestantes, um israelita e dois palestinos, foram detidos, segundo jornalistas.
Israel comprometeu-se perante as nações Unidas a desmantelar as centenas de colónias ilegais na Cisjordânia, como parte das negociações de paz com a Autoridade Palestina. No entanto, até agora, a promessa não foi cumprida.
Para a comunidade internacional, todas as colónias nos territórios palestinos ocupados desde Junho de 1967 por Israel são ilegais, tenham ou não obtido autorização das autoridades israelitas.

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Sábado, Abril 05, 2008

Mate 100 turcos, e descanse...


Lembrei-me, esta semana, daquela velha história de uma mãe judia, separando-se do filho convocado para servir o exército do czar contra os turcos. "Não exija demais de você mesmo", aconselhava ao filho. "Mate um turco, e descanse. Mate outro turco, e descanse outra vez..."
"Mas, mãe", diz o filho, "E se o turco me matar?"
"Matar-te?", grita ela, indignada. "Por quê? Que mal lhe fizeste?!"
Não é piada (e esta não é semana para piadas). Aí está uma lição de psicologia. Lembrei-me dela, ao ler que Ehud Olmert declarou que o que mais o enfureceu foi a explosão de alegria em Gaza, depois do ataque em Jerusalém, no qual foram mortos oito estudantes yeshiva.
Antes disto, na semana passada, o exército de Israel matara 120 palestinianos na Faixa de Gaza, metade dos quais civis, além de dúzias de crianças. Não foi "mate um turco, e descanse". Foi "mate 120 turcos, e descanse". Isto, Olmert não entende.
A GUERRA DOS CINCO DIAS em Gaza (como disse o líder do Hamas) foi mais um curto capítulo da luta entre israelitas e palestinianos. Este monstro sanguinário nunca está satisfeito. Quanto mais come, mais sente fome.
Este capítulo começou com o "assassinato selectivo" de cinco altos militantes, dentro da Faixa de Gaza. A "resposta" foi uma chuva de foguetes e, desta vez, não só sobre Sderot, mas também sobre Ashkelon e Netivot. A "resposta" à "resposta" foi a incursão pelo exército de Israel e a matança.
O objectivo declarado foi, como sempre, fazer parar os foguetes. O meio: matar o maior número possível de palestinianos, para dar-lhes uma lição. A decisão baseou-se num tradicional conceito vigente entre os israelitas: mate civis, mate e mate, até que os líderes caiam. Cem vezes Israel já tentou esta "solução"; cem vezes fracassou.
Como se faltasse algum exemplo da loucura dos que divulgam este conceito, lá estava, na televisão, o ex-general Matan Vilnai, para "declarar" que os palestinianos "trazem a Shoah para eles mesmos".
A palavra Shoah, em hebraico, só significa uma coisa, em todo o mundo, e só uma: é o holocausto dos judeus, pelos nazis. A frase de Vilnai incendiou o mundo árabe e provocou uma onda de choque. Também eu recebi dúzias de telefonemas e mensagens de e-mail, de todo o mundo. Como convencer as pessoas de que, no hebraico coloquial, na fala diária, Shoah significa "apenas" uma catástrofe, um grande desastre, e que o General Vilnai, que já foi candidato a presidente, nunca foi o mais inteligente dos homens?
Há alguns anos, o presidente Bush convocou uma "Cruzada" contra o terrorismo. Não sabia que, para centenas de milhões de árabes, a palavra "cruzada" evoca um dos maiores crimes jamais perpetrados na história humana, o horrendo massacre de muçulmanos (e judeus) pelos primeiros "cruzados", nas vielas de Jerusalém. Um concurso de inteligência, entre Bush e Vilnai, provavelmente, acabava empatado.
VILNAI NÃO ENTENDE o que significa a palavra Shoah para os diferentes dele; e Olmert não entende por que houve júbilo em Gaza depois do ataque à escola yeshiva, em Jerusalém. Sábios como estes dois dirigem o Estado, o governo e o exército. Sábios como estes dois controlam a opinião pública, porque controlam os média. O que há de comum entre todos estes sábios: a mesma insensibilidade, a mesma cegueira, que os impede de ver o que sentem os não-judeus, os não-israelitas. Desta cegueira nasce a incapacidade para entender a psicologia do outro lado; e, depois, tampouco entendem as consequências das suas palavras e actos.
A mesma cegueira explica a incapacidade para entender por que o Hamas se declarou vitorioso na Guerra dos Cinco Dias. Que vitória? Feitas as contas, morreram só dois soldados e um civil israelita, e foram mortos 120 palestinianos, combatentes e civis.
Mas a batalha travou-se entre um dos mais poderosos exércitos do mundo, equipado com o armamento mais moderno que há no planeta, contra umas poucas centenas de combatentes de milícias, com armamento primitivo. A retirada - e este tipo de combate sempre termina em retirada - sempre é uma vitória para o lado mais fraco. Aconteceu na Segunda Guerra do Líbano e aconteceu na Guerra de Gaza.
(Binyamin Netanyahu é autor de uma das "declarações" mais estúpidas da semana; exigiu que o exército de Israel "esqueça os movimentos de atrito e decida o combate". Numa luta como esta, não há como decidir coisa alguma.)
O resultado real deste tipo de operação não se manifesta em números, em quantidades: tantos mortos, tantos feridos, tais e tais prédios destruídos. O resultado, aí, só tem expressão psicológica, resultados que não podem ser medidos e, portanto, são incompreensíveis para cabeças de generais: quanto ódio se acrescentou ao ódio existente, quantos novos homens-bomba surgiram, quantos mais juraram vingança e converteram-se em bombas vivas - como o jovem de Jerusalém que acordou uma manhã, esta semana, arranjou uma arma, andou até a escola Mercaz Harav yeshiva, aquele ninho de onde nascem todas as colónias e "assentamentos", e matou a maior quantidade de israelitas que conseguiu.
Agora, as lideranças políticas e militares de Israel reúnem-se para discutir o que fazer, como "responder". Não tiveram nem terão qualquer ideia nova, porque políticos e generais são incompetentes para gerar ideias novas. Só sabem repetir as ideias de sempre, o que já fizeram centenas de vezes, e fracassaram centenas de vezes e fracassarão sempre.
O PRIMEIRO PASSO para sair deste círculo de loucura é começar a questionar os conceitos e métodos que Israel tem usado nos últimos 60 anos. E recomeçar a pensar, do começo, desde o início.
Isto sempre é muito difícil. E é ainda mais difícil para Israel, porque as lideranças em Israel não têm liberdade para pensar - o pensamento, em Israel, está sempre amarrado ao que pensem os líderes norte-americanos.
Esta semana, foi publicado um documento chocante: o artigo de David Rose na Vanity Fair. Ali é contado como, nos últimos anos, funcionários dos EUA têm ditado cada passo de lideranças palestinianas, nos mínimos detalhes. Embora o artigo não toque nas relações EUA-Israel (uma omissão que, de fato, é surpreendente) sabe-se, mesmo que não se leia, que a acção norte-americana, nos mínimos detalhes, é coordenada com o governo de Israel.
Por que chocante? Em termos gerais, não há novidades, no artigo: (a) os norte-americanos mandaram que Mahmoud Abbas mantivesse as eleições parlamentares, para que Bush aparecesse como aquele que levou a democracia ao Oriente Médio. (b) O Hamas foi eleito - o que não se esperava que acontecesse. (c) Os americanos impuseram um boicote aos palestinianos, para ‘desconstruir' o resultado das eleições. (d) Abbas afastou-se um passo da política que lhe foi ordenada, sob auspícios (e pressão) da Arábia Saudita; e fez um acordo como o Hamas. (e) Os americanos cortaram-lhe as asas e obrigaram Abbas a entregar todos os serviços de segurança a Muhammad Dahlan, escolhido pelos norte-americanos para o papel de homem-forte na Palestina. (f) Os americanos deram armas e dinheiro a Dahlan, treinaram os seus homens e ordenaram que criasse um golpe militar contra o Hamas na Faixa de Gaza. (g) O governo eleito do Hamas abortou o movimento e respondeu, o próprio Hamas, com um contra-golpe armado.
Até aí não há novidades. Tudo isto já era sabido. A novidade é que esta mistura de noticiário, boatos e apostas inteligentes apareça condensada em relatório bem informado, formulado a partir de documentos oficiais dos EUA. É prova da abissal ignorância dos EUA, só comparável à abissal ignorância de Israel, quanto aos processos internos da Palestina.
George Bush, Condoleezza Rice, o neoconservador sionista Elliott Abrams e os generais norte-americanos, que nada sabem sobre coisa alguma, competem com Ehud Olmert, Tzipi Livni, Ehud Barak e com os generais israelitas, que sabem, sobre a Palestina, o que caiba do fundo à ponta dos canhões de seus tanques.
Os norte-americanos, enquanto isto, já destruíram Dahlan porque o expuseram como seu agente, na linha do "é um filho-de-puta, mas é o nosso filho-de-puta". Esta semana, além do mais, Condoleezza detonou um golpe mortal contra Abbas. Ele anunciou, de manhã cedo, que suspendia as negociações (tempo perdido) de paz com Israel - o mínimo que podia fazer, depois das atrocidades que o exército de Israel cometeu em Gaza. Rice, que soube disto quando tomava o pequeno-almoço na estimulante companhia de Livni, imediatamente convocou Abbas e ordenou que desdissesse o que acabava de dizer. Abbas obedeceu e expôs-se, ele mesmo, nu em pêlo, ao seu próprio povo.
A LÓGICA não foi dada ao povo de Israel no Monte Sinai. Mas, sim, foi dada no Monte Olimpo, aos antigos gregos. Apesar desta dificuldade local, tentemos aplicar aqui, alguma lógica.
O que o governo de Israel está a tentar conseguir, em Gaza? Quer derrubar o Hamas (e, marginalmente, também quer que parem os foguetes e morteiros contra Israel).
Israel já tentou obter o que quer mediante um bloqueio total contra a população palestiniana, na esperança de que, assim, a população levantar-se-ia contra o Hamas. O plano falhou. O "plano B" seria reocupar toda a Faixa de Gaza. Mas isto vai custar um alto preço em vidas de soldados, preço mais alto, talvez, do que a opinião pública em Israel esteja disposta a pagar. Além disto, de nada adiantará, porque o Hamas vai reaparecer no momento em que as tropas de Israel se retirarem. (Mao Tse Tung ensinava, como primeira lição na guerra de guerrilhas: "Se o inimigo avança, retrocede. Se o inimigo retrocede, avança.")
O único resultado da Guerra dos Cinco Dias foi o fortalecimento do Hamas e o aumento do apoio que recebe do povo palestino - não só na Faixa de Gaza, mas na Cisjordânia e também em Jerusalém. O Hamas tinha, sim, o que celebrar, naquela festa da vitória. Os foguetes não pararam. E aumentaram a capacidade de fogo e o alcance.
Mas suponhamos que a política de Israel tivesse dado certo e que o Hamas tivesse sido derrotado. E então? Abbas e Dahlan não podem voltar sobre a cabine dos tanques israelitas, como sublocatários da ocupação. Nenhuma empresa de seguros de vida vai aceitá-los como segurados. E, se não voltarem, será o caos, do qual vão emergir forças tão extremistas que, hoje, ainda nem as podemos imaginar.
Conclusão: o Hamas está lá. Não pode ser ignorado. Temos de construir um cessar-fogo com o Hamas. Não a partir de uma oferta ridícula, do tipo "se eles pararem primeiro, nós paramos depois". Cessar-fogo, como o tango, precisa de dois. É preciso haver um acordo prévio e detalhado que inclua a cessação de todas as hostilidades, armadas e outras, em todos os territórios.
Nenhum cessar-fogo será efectivo se não houver negociações, conversações, que têm de começar logo, e que levem a um armistício de longo prazo (a hudna) e à paz. Estas negociações não podem acontecer com a Fatah, e sem o Hamas; nem com o Hamas, e sem a Fatah. Portanto, é preciso construir um governo palestiniano em que se reúnam os dois movimentos. É preciso convocar personalidades que gozam da confiança de todo o povo palestino; Marwan Barghouti, por exemplo.
Não há uma única voz, nem entre as lideranças em Israel nem entre as lideranças nos EUA que se atreva a declará-lo abertamente. Mas esta política é precisamente o avesso, o contrário, da política em curso, pensada por EUA-Israel, e que proíbe até que Abbas converse com o Hamas. Portanto, vamos continuar a ver o que temos visto.
Vamos matar 100 turcos, e descansamos. E, vez ou outra, algum turco vai nos matar, alguns de nós.
Por quê, pelo amor de Deus?! Que mal lhes fez Israel?!
* Uri Avnery,85 anos, é membro fundador do Gush Shalom (Bloco da Paz israelita).

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Domingo, Março 23, 2008

ET PLURIBUS UNUM


Os movimentos rivais palestinianos Fatah e Hamas assinaram hoje um acordo em que aceitam encetar um diálogo, em resultado de uma iniciativa iemenita de reconciliação, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Iémen, Abou Bakr al-Kourbi.

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Domingo, Janeiro 27, 2008

Morreu George Habache, fundador da Frente Popular de Libertação da Palestina



AMÃ (AFP) — O fundador da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), George Habache, líder histórico da resistência palestina, morreu neste sábado aos 82 anos, em Amã, depois de anos afastado do cenário político por sua recusa frontal quanto a qualquer compromisso com Israel.

A notícia foi dada pelo embaixador da Autoridade Palestina na capital jordaniana, Atalah Jairy, que informou que Habache estava hospitalizado há dez dias por problemas cardíacos.

Filho de comerciantes greco-ortodoxos, nasceu em Lydda (atual Lod, em Israel), em 1925, e há anos estava doente e vivia afastado da política na Jordânia, país de sua esposa.

Nacionalista férreo, orador revolucionário que incendiava as massas com seu carisma, Habache fundou a FPLP em Damasco em 1967 e se fez reeleger constantemente secretário-geral desse movimento, que virou um dos três componentes da Organização de Libertação da Palestina (OLP).

O presidente de la Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, prestou homenagem ao "líder histórico" e decretou que as bandeiras fiquem a meio mastro durante três dias.

"A morte de Habache é uma grande perda para a causa palestina e para o povo palestino pelo qual combateu durante sessenta anos", afirmou o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina.

Habache, que viveu muitos anos exilado na Síria, deixou a direção da FPLP em 2000, mantendo sua recusa a qualquer aproximação com Israel, uma posição o isolou pouco a pouco do cenário político.

Foi assim que se opôs ao processo de paz com o Estado hebreu iniciado por Yasser Arafat e considerava que o Estado palestino que podia surgir de tais negociações não seria mais que uma "caricatura".

Sua vida sofreu uma virada em julho de 1948, o ano da fundação de Israel, em uma estrada da Palestina. Em seus 22 anos, este estudante de medicina se encontrou no meio de uma maré de milhares de palestinos que fugiam ante o avanço das forças israelenses.

"É uma imagem que jamais esquecerei", explicou anos mais tarde. "Milhares de seres humanos expulsos de suas casas, fugindo, chorando, tremendo de terror. Depois de uma coisa assim, a pessoa só pode virar um revolucionário".

Refugiado em Beirute, retomou seus estudos na Universidade Americana e contribuiu para tornar esse centro um farol intelectual radical no Oriente Médio.

A partir de pequenos grupos convencidos de que só a violência permitiria a volta à Palestina, organiza um vasto movimento pan-árabe, o Movimento Nacionalista Árabe (MNA), do qual Habache se converteria no incentivador e inspirador.

A ruptura da união sírio-egípcia em 1961 e a derrota dos exércitos árabes em 1967 na Guerra dos Seis Dias contra Israel levaram Habache e o MNA a passar de uma ideologia puramente nacionalista para o marxismo.

No dia seguinte à Guerra dos Seis Dias, fundou a FPLP.

A Jordânia, onde morreu, foi um de seus primeiros inimigos.

A FPLP ficou conhecida nesse país pelos seqüestros de aviões e por tentar derrubar o regime antes de os sangrentos enfrentamentos de setembro de 1970 ("Setembro negro") entre a OLP e o exército jordaniano porem fim à resistência palestina nesse país.

Habache virou um dos homens mais procurados no Oriente Médio, onde contava com um grande apoio, particularmente nos campos de refugiados palestinos e nos territórios ocupados por Israel.

FONTE

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Sábado, Janeiro 26, 2008

Resistir com a Palestina



Pelas 21h do dia 25 de Janeiro representantes da Associação de Amizade Portugal Irão deslocaram-se ao Museu República e Resistência para a apresentação pública de lançamento do Comité de Solidariedade Com a Palestina. Se dúvidas houvesse acerca do complot ianque-sionista para o esmagamento do povo palestino, quem quer que tenha assistido à intervenção de Randa Nabuisi (Delegada Geral da Palestina em Portugal) e à exibição do filme de “O Muro de Ferro” de Mohammed Alatar sobre o tema, perdeu-as de certeza.
Sistematicamente os EUA vetam todas as resoluções da ONU e do TIJ que podem desde que as mesmas condenem o Estado Imperialista de Israel.
Nada temos contra o povo Judeu que é tão livre e digno como qualquer outro de se auto-determinar, nem tão pouco condenamos o sionismo enquanto instrumento político nacionalista dessa mesma autodeterminação. O que queremos pôr em evidência é que o sionismo há muito que deixou esta fase para se tornar num Imperialismo xenófobo que descrimina os seus cidadãos com base nas suas opções religiosas, que impede o direito de retorno dessas mesmas populações às suas terras de origem e cujos colonatos ocupam ilegalmente, para além das fronteiras de 1967, tais territórios.
Estamos perante um novo Apartheid servido por um muro concentracionário, forças da ordem parciais, assassinatos selectivos, deportações e milhares de prisioneiros, pelo menos onze mil, a quem não é reconhecido o estatuto de combatentes, sendo que uma parte deles são objectivamente prisioneiros de consciência.

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Holocausto


O terrorismo organizado do estado de Israel aumenta na Faixa de Gaza, depois do contínuo assassinato e de invasões sangrentas, vem o corte de electricidade energia e alimentos, é um guerra de extermínio bem documentada pelos muros do apartheid e apoiado pelo império americano e ignorada pelo ocidente “democrático”.

As câmaras de televisão mostraram cenas de pôr os cabelos em pé, de crianças palestinianas cuja sobrevivência depende de determinadas máquinas médicas que funcionam a electricidade. No norte de Gaza, uma criança paralisada estava entre a vida e a morte e os membros da sua família tentavam rotativamente mantê-la a respirar usando uma bomba manual de respiração.

Em colonatos judeus na cidade de Hebron e nos seus arredores, na Cisjordânia, colonos judeus foram vistos a dançar numa aparente expressão de alegria pela tragédia em Gaza, com alguns deles a gritar em hebreu “morte aos árabes” e “árabes para as câmaras de gás”.

Ainda antes, colonos com armas automáticas atacaram palestinianos e vandalizaram as suas propriedades em Hebron, à vista de soldados israelitas ocupantes que observaram passivamente. Pelo menos 11 palestinianos foram atingidos, a maioria com pequenos cortes e feridas.

Desde o início de 2008, o exército de ocupação israelita assassinou perto de 40 palestinianos e feriu centenas, tendo muitos ficado com deficiências permanentes.

Os crimes perpetrados pelo ocupante fazem tábua rasa das leis internacionais e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, tantas vezes exibida mas que parece só servir para alguns.
As elites europeias calam-se perante estes tristes acontecimentos e lavam as mãos como Pilatos. A Europa está refém do sionismo e do imperialismo americano. O Sr. Bush durante a última visita deu luz verde a Israel para o ataque a Europa assiste de bancada.

As condições de vida desumanas na área mais densamente povoada do mundo, e um dos espaços humanos mais pobres no hemisfério norte, incapacitam o povo que lá vive a se conformar com o aprisionamento que Israel lhe impôs desde 1967. Houve períodos relativamente melhores, nos quais o movimento para a Cisjordânia e Israel para trabalhar era permitido, mas esses tempos melhores acabaram. Realidades mais duras tomaram o lugar desde 1987. Algum acesso ao mundo exterior foi permitido enquanto havia colonizadores judeus na Faixa, mas desde que foram retirados esta foi hermeticamente fechada. Ironicamente, a maioria dos israelitas, de acordo com pesquisas recentes, olha para Gaza como um estato palestiniano independente. Os líderes [de Israel], e particularmente o exército vêem-na como uma prisão com a mais perigosa comunidade, a qual tem que ser eliminada de uma forma ou de outra.

As políticas israelitas de limpeza étnica, empregadas com sucesso em 1948 contra metade da população da Palestina e contra centenas de milhares de palestinianos na Cisjordânia continuam bem vivas, estão agora voltadas para a prisão de segurança maxima chamada Faixa de Gaza.

Quando Israel foi absolvido de qualquer responsabilidade ou obrigação de prestar contas pela limpeza étnica de 1948, transformou essa política numa ferramenta legítima para seu programa de trabalhos de segurança nacional. Se a actual escalada e adaptação de políticas genocidas for tolerada pelo mundo, aumentará e será usada de forma ainda mais drástica.

Gaza hoje não é mais que um grande campo de concentração, os judeus não estão a enviar homens, mulheres e crianças para fornos, eles estão a matar os palestinianos com meios muito mais sofisticados, no entanto apesar dos meios os fins são os mesmos. O conto é igual se serviu para por o mundo a seus pés serve agora para arrasar toda uma nação.

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Domingo, Dezembro 30, 2007

Socorro! Cessar-fogo!


O chefe do governo do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, contactou um jornal israelita e propôs um cessar-fogo. Fim dos mísseis kassans, fim dos morteiros, fim dos homens bomba, fim das incursões militares na Faixa de Gaza, fim dos ataques a “alvos políticos” e execução de líderes. Um completo cessar-fogo. E não só na Faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia. Os líderes militares israelitas ficaram furiosos.

Esqueçam os mísseis kassans. Esqueçam os morteiros. São nada, comparados com o que o Hamas detonou sobre nós, esta semana!

O chefe do governo do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, contactou com um jornal israelita e propôs um cessar-fogo. Fim dos mísseis kassans, fim dos morteiros, fim dos homens bomba, fim das incursões militares na Faixa de Gaza, fim dos ataques a “alvos políticos” e execução de líderes. Um completo cessar-fogo. E não só na Faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia.
Os líderes militares israelitas ficaram furiosos. Quem ele pensa que é, este sujeito? Pensa que pode nos deter, com seus truques sujos?

Esta É a segunda vez, em poucos dias, que há um atentado contra nossos planos de guerra.

Há duas semanas, os serviços secretos dos EUA declararam, em relatório oficial, que o Irão havia suspendido, há quatro anos, todos os esforços para produzir uma bomba nuclear.
Em vez de suspirarem aliviadíssimos, os militares israelitas reagiram com fúria explícita. Desde então, todos os colunistas de jornal em Israel, e toda a gigantesca rede de jornalistas alugados, em todo o mundo, tentam desqualificar aquele relatório. É falso, não tem fundamento, é motivado por uma agenda secreta, sinistra.

Milagrosamente, o relatório sobreviveu ileso. Sem um arranhão.

O relatório, pelo que se vê, varreu da mesa de negociações qualquer possibilidade de um ataque norte-americano ou israelita contra o Irão. E, agora, aparece a iniciativa pró paz, de Haniyeh, e põe em perigo toda a estratégia do establishment militar israelita para a Faixa de Gaza.

Mobilizou-se outra vez o coro dos militares. Generais de uniforme e de pijama, correspondentes militares, correspondentes políticos, comentaristas de todos os tamanhos, géneros e cores, políticos de esquerda, políticos de direita... todos estão atacando a proposta de Haniyeh.

A mensagem é: não podemos aceitar esta proposta, de jeito nenhum! Não devemos sequer considerá-la! Ao contrário: a proposta mostra que o Hamás está fraco, quase derrotado. Portanto, é hora de intensificar a guerra contra eles, apertar ainda mais o bloqueio de Gaza, matar mais líderes – e, aliás, por que não assassinar o próprio Haniyeh? De que estamos à espera.

Uri Avnery**

**Uri Avnery é membro fundador do Gush Shalom (Bloco da Paz israelita). Quando adolescente, Avnery foi combatente no Irgun e mais tarde soldado no exército israelita. Foi três vezes deputado no Knesset (parlamento). Foi o primeiro israelita a estabelecer contacto com a liderança da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em 1974. Foi durante quarenta anos editor chefe da revista de noticias Ha'olam Haze. É autor de numerosos livros sobre a ocupação israelita da Palestina, incluindo My Friend, the Enemy (Meu amigo, o inimigo) e Two People, Two States (Dois povos, dois Estados).

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