segunda-feira, novembro 13, 2006

Revista de Imprensa

Igreja reafirma posição contra aborto

5 comentários:

Anónimo disse...

Mas o que é isto?!
Quando a gente pensa que a Igreja Católica se conformou definitivamente com a separação entre a Igreja e o século, entre a lei divina e a lei humana, entre deus e césar, logo há-de vir um bispo de antanho estragar tudo. Agora é o arcebispo de Braga que nega ao «poder constituído» (isto é ao Estado) o poder de despenalizar o aborto, porque este é um crime «por natureza».
Já houve um tempo divinocrático, em que a Igreja tinha o poder de decretar o que era crime, e entre os tais "crimes naturais" encontravam-se o judaísmo e todas as demais "heresias", a feitiçaria, a sodomia, a blasfémia, etc. etc. Só que num Estado soberano na ordem temporal -- em que a Igreja só é competente na esfera religiosa --, e além disso democrático, quem define os crimes são os órgãos legislativos competentes ou os cidadãos, directamente (em qualquer caso, nos limites da Constituição, que não proíbe a descriminalização do aborto).
A aceitação desse "poder constituído" faz parte naturalmente dos deveres de todos os cidadãos, incluindo os bispos. Fulmine a Igreja o aborto com as armas que tem, se assim o entender. Mas respeite, como é sua obrigação, a liberdade do poder civil no exercício das suas atribuições. É assim tão difícil?!

[Publicado por vital moreira] 14.11.06

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Vítor Ramalho disse...

Não pode, pelo menos a mim o Vital Moreira dar lições de liberdade.
Todos sabemos os atentados à mesma que ele e os seus amigos do PCP fizeram durante o PREC. Que eu saiba nunca reconheceu a sua culpa.
Relativamente ao assunto só vai à Igreja que quer.
A vida humana não pode ser legislada, nem referendada, é um princípio basilar da nossa civilização.
Ora o referendo pretende que a coberto de um drama que é o aborto clandestina, legislar sobre a possibilidade de se matar ou não um filho que se traz na barriga.

Anónimo disse...

vítor,

senão se pode legislar sobre a vida humana, estamos bem arranjados. é que tal postulado funciona nos dois sentidos, não se podendo legislar sobre qq questão: sobre a pena de morte, sobre a eutanásia, o aborto, o prolongamento da vida, enfim, lá se vai todo o cógigo penal. fica-nos o vazio legislativo sobre todas estas questões... parece-lhe melhor?

Vítor Ramalho disse...

Não se faça de esperto.
Sabe muito bem que me referia ao aspecto do aborto, mas já agora se quiser alargo-o ao da pena de morte.