
As eventuais ligações ao PS de novos directores são factores de variados comentários entre trabalhadores da comissão
Os concursos para os lugares de chefia intermédia na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) estão a causar uma onda de descontentamento entre funcionários. Com a entrada em vigor da nova lei orgânica, abriram vagas para mais de 20 cargos, sendo já conhecidos os resultados de alguns dos concursos.
Fonte ligada à CCDRC, que prefere manter o anonimato, adiantou ao Diário de Coimbra que se tem verificado «uma inadequação entre os cargos a prover e a formação académica» de quem tem conquistado os lugares, havendo ainda a «ideia generalizada» entre os funcionários da instituição de que, mesmo antes dos concursos chegarem ao fim, já se saberá quem «vai ganhar».
Lamentando que a CCDRC não esteja a apostar nos «óptimos quadros» que pertencem à comissão, a mesma fonte lamenta que, até agora, sejam bem evidentes as ligações ao Partido Socialista desses concorrentes que têm merecido a preferência do júri.
É o caso da escolha de Margarida Bento, esposa de Jorge Bento, presidente da Câmara Municipal de Condeixa, que vai chefiar a direcção dos serviços de Ordenamento do Território. Licenciada em Direito, e até então a chefiar a divisão de Apoio Jurídico, ficou à frente de «pessoas com experiência reconhecida na área da engenharia e uma chefe de divisão que trabalha nesta área há muitos anos.
O mal-estar sente-se, igualmente, no que diz respeito à direcção dos Serviços de Ambiente, “entregue” a Ana Sousa, licenciada em Geografia, que passa de técnica superior a directora de serviço. Preterida foi Cristina Tadeu, «despromovida de directora de serviços de ordenamento a simples técnica», depois de ter chefiado interinamente a direcção dos serviços de Ordenamento do Território.
Pedro Geirinhas, engenheiro electrotécnico, que chefiava a divisão de Informática, passa a estar à frente dos Serviços de Comunicação, Administrativa e Financeira. «Como engenheiro era bom», adianta a mesma fonte da CCDRC, que mais uma vez, lamenta que tenham sido preteridas «pessoas com formação académica na área da Economia, Gestão e Direito e com grande experiência».
Dentro desta direcção de serviços está previsto que a divisão de Recursos Humanos venha a ser preenchida pela actual secretária do presidente Alfredo Marques, que é licenciada em Geografia, e que a divisão de Gestão Administrativa e Financeira será ocupada por um elemento exterior à CCDRC.
Durante a próxima semana deverão ser conhecidos os resultados na Direcção do Desenvolvimento Regional. No entanto, as expectativas são praticamente nulas entre a fonte que falou ao Diário de Coimbra, que prevê que os factos anteriores se voltem a repetir, até porque, conclui, «todos os júris são presididos pelo presidente ou vice-presidentes da CCDRC».
«Tudo isto descredibiliza», garante, acrescentando que, mesmo entre alguns autarcas começa a sentir-se algum descontentamento.
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