terça-feira, dezembro 04, 2007

Morreu o Fernando


A notícia colheu de surpresa todos quantos, pouco antes das nove da noite, estavam no Café Avenida: o Fernando não resistiu e já não vai ser sujeito à intervenção de neurocirurgia que tinha marcada, em Lisboa, para o dia 17 de Dezembro. O dedicado empregado de mesa, que meia Coimbra conhece e se habituou a ter como amigo, morreu, assim, aos 61 anos, cerca de três semanas depois de ter sido internado, nos HUC, vítima de múltiplos aneurismas.
De seu nome completo António Fernando Pereira Soares, marcou uma época, na vida dos cafés de Coimbra. A sua vida foi passada no Avenida, na Afonso Henriques, onde esteve cerca de quatro décadas. Viu, por exemplo, nascer a boite etc..., ali mesmo em frente, praticamente quando começou a trabalhar. Viveu intensamente as emoções da crise académica e, depois, os tempos convulsivos da revolução. Muitas vezes até altas horas da manhã. A certa altura, vão lá quase 30 anos, um brutal acidente surpreendeu-o. Mas resistiu, depois de já ninguém acreditar que sobreviveria.
E voltou ao Avenida. Para recuperar o seu espaço de fumador inveterado, portista inflexível e cúmplice de muitas pequenas e grandes histórias da vida de todos e de cada um. Mas, a cidade e a sociedade não eram mais as mesmas e o Fernando não era apenas o bigodudo de bandeja no braço e cerveja a sair. A sua extraordinária dimensão humana é, por todos, reconhecida. Descansa em paz meu bom amigo.

FONTE

1 comentário:

a voz disse...

Um fim de Cíclo, Caro Vítor.