terça-feira, janeiro 27, 2009

Lar para deficientes sem apoio da Segurança Social


Sem qualquer apoio do Estado, a Cercimira, de Mira, começou a construir, esta segunda-feira, um lar residencial para acolher 17 pessoas deficientes. No lançamento da primeira pedra da obra de 600 mil euros, a Segurança Social não foi poupada nas críticas.

A presidente da Direcção da cooperativa Cercimira, Lúcia Gomes, não percebe como é que a Adminstração Central "teima em ignorar" uma infra-estrutura "tão importante e única na região, como é a Unidade Residencial e Bem-Estar (URBE)".

"O lar que vamos construir, um sonho com dez anos, é uma dádiva para muita gente que não pode cuidar dos seus familiares deficientes e para muitos deficientes que não têm família. É uma obra importantíssima não apenas para o concelho de Mira, mas, também, para toda a região", afirmou a líder da Cercimira.

Lúcia Gomes diz que "avançar com a construção desta obra, apenas com o apoio prometido - mas não quantificado, até ao momento - da Câmara Municipal de Mira, é um acto de grande coragem da Direcção da Cercimira". E explica: "O maior problema não é arranjar dinheiro para a construção do lar residencial, embora essa responsabilidade nos obrigue a ir até ao limite das nossas possibilidades e competências. O maior problema será depois garantir a manutenção da Unidade Residencial e Bem-Estar".

Lúcia Gomes referia-se aos contratos a celebrar com a Segurança Social, que são "condição essencial para a sobrevivência do lar", cujo prazo de construção é de um ano e meio.

Ao JN, o presidente do Centro Distrital de Coimbra da Segurança Social, Mário Ruivo, prometeu dar uma resposta à Cercimira no prazo máximo de 15 dias e justificou a sua ausência, ontem, na cerimónia em Mira, com compromissos de trabalho inadiáveis.

A Cercimira, com instalações na povoação de Seixo, concelho de Mira, é uma cooperativa que se dedica, desde 23 de Maio de 1978, à educação e reabilitação de cidadãos inadaptados, prestando apoio a pessoas com dificuldades, mentais e/ou físicas, tendo como objectivo final a sua autonomia.

Actualmente, a instituição de solidariedade social dá apoio a 120 pessoas que frequentam as valências do Centro de Actividades Ocupacionais, Centro de Formação Profissional e Escola Especial.


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