quarta-feira, janeiro 30, 2008

Assinaturas para salvar Mercado do Bolhão

Moradores querem avançar com uma providência cautelar contra a entrega da gestão a um grupo económico estrangeiro


O presidente da Associação de Moradores de Monte Tadeu/Santo Isidro, na freguesia do Bonfim, Porto, anunciou hoje a recolha de assinaturas para avançar com uma providência cautelar contra a entrega da gestão do Mercado do Bolhão a um grupo económico estrangeiro.
Em declarações à Lusa, Mário Sousa disse que já foram recolhidas, no espaço de uma semana, «quase 5700 assinaturas». O abaixo-assinado será também enviado ao presidente da República, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Procurador-Geral da República e provedor de Justiça.


«O objectivo é avaliar a legalidade desta decisão da Câmara do Porto», explicou o dirigente associativo, que pretende também que o caso seja discutido na Assembleia da República.
«Actualmente na cidade do Porto existem locais muito belos do ponto de vista histórico-cultural e arquitectónico que estão em fase adiantada de venda a grandes grupos económicos estrangeiros» e «um destes espaços é o Mercado do Bolhão», lamenta Mário Sousa.
A Câmara do Porto vai ceder o edifício em direito de superfície por 50 anos, ao consórcio holandês TranCrone, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.
«É aqui que surge a mais inevitável, mas necessária pergunta: quanto teriam que pagar estes senhores estrangeiros da TranCrone se tivessem de adquirir (comprando) toda a área do actual espaço do Mercado do Bolhão para o destruir por completo e fazer um novo centro comercial, com mais um supermercado e lojas, em pleno centro e no principal espaço do ponto de vista comercial da cidade do Porto?», questiona Mário Sousa.
O dirigente da associação de moradores lembra a existência de um projecto para o Mercado do Bolhão, datado de 1992, da autoria do arquitecto Joaquim Massena, que «prevê a recuperação e restauro do edifício sem perda dos valores patrimoniais, arquitectónicos, culturais, socais, humanos e empresariais».

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